O sentimento de estar "em casa" enquanto imigrante
Esse assento não foi atribuído a mim pela companhia aérea, mas essa janela era pra ser minha.
Olhando esse mar de nuvens, depois de assistir uma ótima comédia romantica Brasileira, mergulhei nos meus próprios sentimentos e pensamentos.
Agora, de férias, pela primeira vez nas últimas semanas senti que consegui ter um minuto de silêncio que possibilitou essa introspecção. Olha, eu juro que as empresas fazem você trabalhar dobrado antes de sair de férias, assim você mesmo paga por suas férias em horas extras não pagas 😂😂😂
Vem comigo nesse devaneio de uma imigrante Brasileira no turbilhão de emoções que emergem do evento que é revisitar seu país natal.
Olhando da janela, revisitei uma conversa que tive com um colega de trabalho há uns dias atrás. Quando falei que ia de férias pro Brasil, ele me perguntou: ah, so you're going home? (Então você ta indo pra casa?). Não sei por que exatamente, mas pela primeira vez, a conotação de que o Brasil era minha casa me soou estranha e não verdadeira.
Acho que devo ter feito uma cara estranha, pois ele rapidamente voltou atrás e perguntou: casa pra você é aqui na Austrália, no Brasil ou ambos? Tive que pensar alguns segundos e enfim respondi: Hoje me sinto mais em casa aqui na Austrália.
Foi um momento tão estranho. Tá, eu sei que já falei estranho três vezes, agora quatro rsrs. Mas é a palavra certa e não encontrei um sinônimo que servisse.
Foi estranho no sentido da palavra "foreigner", um sentimento extrangeiro a mim mesma. É como se meu cérebro tivesse se dado conta de um sentimento que chegou bem quietinho, fez morada e quando percebi ele não era algo novo. Era algo eu tinha certeza, meu cérebro podia ver os sinais de moradia, mas ao mesmo tempo era uma novidade pra ele.
O cérebro, controlador e ansioso como é, já começou a tentar organizar tudo, racionalizar, encaixar. E perguntou: mas o que isso significa?
Mas só agora, alguns dias depois, o coração e o cérebro tiveram tempo pra sentar e conversar sobre aquele momento tão estranho.
Ainda to descobrindo e reescrevendo minha relação com o Brasil. Talvez é parecido com a transição que a gente tem quando vira adulto, sai da casa dos pais e essa relação com eles muda. Pode ser um pouco conturbado no início, pois os papéis já estavam definidos por tantos anos. Porém, no fim, depois de muita conversa e negociações, a relacão é reconstruida ainda mais forte. A mudança dessa relação é necessaria pro crescimento. Pra sua nova versão poder existir. Pra você poder aproveitar ao máximo o seu presente.
A primeira certeza é que o meu amor pelo Brasil não diminuiu, apenas mudou. Aquele mesmo sentimento que temos pelos pais, de que eles semprem farão parte de mim, mas que preciso trilhar meu próprio caminho. Que a gente vai se ver menos, não tá morando junto, mas sempre vai estar junto de coração, nas memórias, na base da minha personalidade. E que o Brasil sempre estará presente no meu futuro, nas visitas e como um suporte mútuo please pessoas queridas que moram lá.
A segunda certeza é de que o amor não é um jogo de soma zero, onde o crescimento do amor por uma coisa diminui o amor pela outra coisa. A atenção é finita e restritiva. Mas o amor não. E meu amor, tanto pela Austrália como pelo Brasil, continuam aumentando e se desenvolvendo.
A terceira é que preciso assistir mais filme Brasileiro 😂 Nossa, filme Brasileiro bate diferente, não tem comparação. A cultura Brasileira é a lingua materna do meu coração.
Por hoje é isso. Mas num próximo encontro quero conversar sobre como é maravilhoso e ao mesmo tempo extremamente difícil visitar seu país natal depois de morar fora um tempo. E não estou me referindo ao custo financeiro, se bem que pesa muito também, mas o peso emocional.
Te vejo por aqui em breve!
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